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Brasileira morre no meio do deserto tentando entrar ilegalmente nos EUA

De acordo com a família, a técnica em enfermagem Lenilda da Silva, de 49 anos, tentava atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos acompanhada de três amigos e de um coiote - uma pessoa contratada para conduzir imigrantes ilegais. Brasileira morre no meio do deserto, tentando entrar ilegalmente nos EUA

Uma brasileira morreu no meio do deserto tentando entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

"Eu dormi aqui. Eu não aguentei, não. Eu estou sozinha, mas eles estão vindo me buscar. Pode ficar de boa.” Esse foi um dos últimos áudios enviados pela técnica de enfermagem Lenilda da Silva para a família.

O G1 teve acesso às mensagens. Um tempo depois, vem outro mais preocupante.

"Eu esperei até 11 horas, ninguém veio. Eu peguei e saí do lugar. Eu estou escondida. Manda trazer uma água para mim que eu não estou aguentando de sede."

Lenilda é de Vale do Paraíso, interior de Rondônia, a 370 quilômetros da capital. De acordo com a família, a técnica em enfermagem tentava atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos acompanhada de três amigos e de um coiote - uma pessoa contratada para conduzir imigrantes ilegais. Eles ficaram duas semanas numa cidade mexicana até o momento considerado seguro para a travessia.

O grupo começou a caminhada no dia 6 de setembro. Mas, no segundo dia, Lenilda ficou para trás. Não teve mais forças. Os outros seguiram e o coiote prometeu resgatá-la depois. Mas não voltou. Em Rondônia, a família acompanhava cada passo pelo sinal de GPS do celular, até perceber que ela não se movimentava mais.

Com a ajuda de um tio que mora nos Estados Unidos, eles contrataram uma empresa particular americana para ajudar nas buscas. O corpo de Lenilda foi encontrado na última quarta-feira (15) por agentes de fronteira. Ela tinha 49 anos e duas filhas adultas, uma está grávida de cinco meses.

Por telefone, uma das filhas contou que Lenilda já havia morado em Ohio, nos Estados Unidos, por dez anos, onde trabalhou como faxineira. Ela havia retornado para a cidade natal há três anos, mas não conseguiu se readaptar e quis voltar para os Estados Unidos. Na penúltima tentativa de atravessar a fronteira, foi pega e ficou três meses presa até ser deportada.

Lenilda não desistiu de voltar, mesmo contrariando a família. O sonho dela era ajudar a pagar a faculdade das filhas.

Milhares de imigrantes tentam entrar ilegalmente todos os meses nos Estados Unidos. Em agosto, 195 mil pessoas foram detidas na fronteira com o México.

O Itamaraty afirmou que os consulados brasileiros nos Estados Unidos e a embaixada do Brasil no México ainda não foram notificados.

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